“O abandono e o desprezo da família me fizeram vir para a rua. Mas, hoje, tenho muita vontade de ir pra São Paulo, reencontrar minha avó”, relatou o gesseiro Emerson dos Santos uma das pessoas em situação de rua acolhidas na noite de quinta-feira passada, dia 22, na primeira abordagem do Projeto Mãos Amigas - Laços que Transformam, uma iniciativa da Prefeitura de Itabuna, executada pela Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (SEMPS).
Ao todo 26 pessoas que dormiam nas calçadas nas imediações da Estação Rodoviária de Itabuna aceitaram ir para a Casa de Acolhimento do município, receberam cuidados e iniciaram o processo de retorno ao convívio familiar. As abordagens foram acompanhadas pelo secretário Erasmo Ávila e a subsecretária da SEMPS, Suse Mayre Martins Azevedo.
A passagem para as cidades de origem de cada uma das pessoas em situação de rua será concedida através do benefício eventual, que é assistência provisória destinada a apoiar pessoas em situação de dificuldades inesperadas. O benefício vai ser solicitado pelos profissionais junto à SEMPS e, logo após a passagem ser liberada, a pessoa poderá viajar. Todo o processo dura em média três dias.
Durante as visitas, os técnicos da Casa de Acolhimento entram em contato com o familiar ou alguém de referência da pessoa em situação de rua. A partir dessas informações, é feito um contato com os familiares para avaliar a aceitação do morador de rua e tentar fortalecer vínculos.
O secretário de Promoção Social e Combate à Pobreza, Erasmo Ávila, fez um balanço positivo da primeira noite de abordagem dos técnicos aos moradores de rua. “Estamos muito felizes com esse primeiro momento, quando pudemos conhecer cada história e entender que alguns querem mesmo ir embora para a cidade de origem. Mas, em outras situações o vício é complexo”, disse.
Ele destacou a eficiência da equipe de abordagem na escuta das pessoas em situação de rua e no cadastramento. “A Secretaria tem um corpo técnico com experiência nesse tipo de ação. Nosso papel é tentar a cada dia resgatar mais uma vida”, disse Erasmo Ávila.
A coordenadora da Alta Complexidade da SEMPS, Vanessa Leite, disse que na Casa de Acolhimento, uma equipe técnica com assistente social e psicólogo faz uma escuta mais qualificada para saber qual a fragilidade da família, o que a pessoa precisa, ver a garantia de direitos, como documentação, relatório e encaminhamento para a rede de saúde. “O objetivo maior é acolher e dar dignidade a essas pessoas”, falou.

